O Turismo consolidou, ao longo das últimas décadas, a sua posição como um dos principais motores da economia portuguesa. Em 2023, o sector contribuiu direta e indiretamente com 33,8 mil milhões de euros para o Produto Interno Bruto, o equivalente a 12,7% do total. Segundo dados do INE, esta indústria foi responsável por cerca de metade do crescimento real da economia portuguesa. E, este ano, tudo indica que será alcançado um novo marco histórico, com receitas na ordem dos 27 mil milhões de euros.
Este dinamismo não seria possível sem um elemento central: a aviação. Os aeroportos nacionais continuam a bater recordes, tendo movimentado 47,5 milhões de passageiros entre janeiro e agosto, mais 4,5% do que no mesmo período de 2023. Estes números mostram a importância crescente da atividade aeroportuária e serviram de ponto de partida para o mais recente almoço‑debate da Marketeer, realizado num lounge do Aeroporto de Lisboa, a convite da ANA – Aeroportos de Portugal.
Como anfitrião, Thierry Ligonnière, CEO da ANA, sublinhou que o sucesso coletivo do sector depende da articulação entre todos os intervenientes: companhias aéreas, operadores turísticos, hotelaria e entidades públicas. Recordou ainda que, na última década, o turismo teve um papel determinante na recuperação económica do País.
Expansão das infraestruturas: obras, desafios e limitações
Para assegurar o futuro do sector, estão em marcha várias intervenções estruturais. Em Lisboa, arrancam em dezembro as obras de expansão do terminal sul, um projeto orçado em cerca de 200 milhões de euros e que deverá prolongar-se até 2027. Embora não aumentem a capacidade global do aeroporto, estas intervenções pretendem melhorar as operações, criar novas posições de estacionamento junto ao terminal e reduzir o número de transportes por autocarro entre aeronaves e terminal.
Durante estas obras, o aeródromo de Figo Maduro será utilizado para estacionamento de aeronaves, compensando temporariamente a indisponibilidade de posições em Lisboa.
Ao mesmo tempo, continuam os investimentos noutros aeroportos nacionais, como o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, onde decorrem obras de reforço da pista. Estas alterações refletem um período de reflexão estratégica após a retoma acelerada pós‑pandemia, que obrigou a uma revisão global dos planos de desenvolvimento da rede aeroportuária.
Contudo, como destacou Thierry Ligonnière, o verdadeiro fator limitador da capacidade aeroportuária já não é a infraestrutura física, mas sim o espaço aéreo. A NAV está a reconfigurar rotas de aproximação e a reforçar o corpo de controladores, medidas que visam reduzir atrasos e aumentar gradualmente o número de movimentos por hora, dos atuais 38 para cerca de 45.
Alcochete: o novo aeroporto e o que ainda falta decidir
O tema mais aguardado no debate foi, naturalmente, o novo aeroporto. Após décadas de indefinição, o Governo avançou com a decisão de instalar a nova infraestrutura no Campo de Tiro de Alcochete. O CEO da ANA revelou que equipas da Vinci Airports já estão a trabalhar em várias frentes do projeto — operacional, técnica, financeira e comercial.
Até 17 de dezembro, a ANA deverá entregar ao Governo um estudo de viabilidade que estabelecerá os contornos do investimento: custos estimados, modelo de financiamento, soluções operacionais e necessidades de acessibilidade ao futuro Aeroporto Luís de Camões. Uma das preocupações centrais é garantir que as ligações rodoviárias e ferroviárias estejam concluídas antes da entrada em funcionamento da nova infraestrutura, de forma a evitar perda de competitividade devido ao afastamento de Lisboa.
No que diz respeito ao financiamento, Thierry Ligonnière explicou que, numa fase inicial, cabe ao concessionário suportar a totalidade do investimento, que depois poderá ser complementado por dívida ou fundos comunitários.
Perspetivas para 2025: entre otimismo e prudência
O debate permitiu ainda ouvir as previsões dos líderes do sector. Na hotelaria, reina um otimismo generalizado, com perspectivas de crescimento na ordem dos dois dígitos, impulsionadas sobretudo pelo mercado norte-americano. Já no sector aeroportuário, a visão é mais cautelosa, antecipando-se um abrandamento do crescimento devido ao contexto económico internacional e às limitações operacionais resultantes das obras em Lisboa e na pista do Porto.
Entre as novidades positivas destaca-se a estreia da rota direta entre Faro e Nova Iorque, operada pela United Airlines, com início previsto para maio de 2025.
No entanto, há também sinais de preocupação, como a expansão da taxa turística, já aplicada em 26 municípios. Embora o impacto na procura seja considerado reduzido, os participantes alertam que a prioridade deve ser garantir a boa utilização das receitas, evitando comprometer a competitividade do destino.







